O Globo de Ouro não desclassificará filmes por utilizarem ferramentas de inteligência artificial (IA) generativa, embora a direção criativa, o critério artístico e a autoria devam continuar sendo humanos, assim como as atuações, que devem ser fundamentalmente interpretadas por um ator.
A Associação da Imprensa Estrangeira de Hollywood, responsável pela organização e direção desses prêmios, compartilhou seus critérios em relação ao uso de ferramentas de inteligência artificial para a criação de filmes, indicando como levará em conta essa tecnologia na hora de escolher os vencedores da próxima edição, que será realizada em janeiro de 2027.
Nesse sentido, conforme divulgado em seu regulamento para a 84ª edição, as diretrizes estabelecem que o uso de IA generativa é permitido e não desqualificará automaticamente as obras inscritas, desde que “a direção criativa, o critério artístico e a autoria humanos continuem sendo primordiais durante todo o processo de produção”.
Isso significa que, conforme esclarecido, as tecnologias de IA poderão ser utilizadas como parte do processo de produção dos filmes, mas “não podem substituir as contribuições criativas fundamentais do talento humano”. Ou seja, aspectos como direção, roteiro, composição ou animação devem provir principalmente de seres humanos.
Mais especificamente, no que diz respeito aos prêmios de atuação, a associação esclareceu que as atuações devem derivar “principalmente do trabalho do ator credenciado” e não serão aceitas candidaturas em que a atuação tenha sido gerada em grande parte por IA.
Isso se refere ao uso da IA para substituir a própria interpretação da pessoa, incluindo expressões, movimentos ou interpretação vocal do intérprete. No entanto, o uso da IA para aprimorar técnicas ou aspectos estéticos, como rejuvenescimento, envelhecimento ou modificações visuais, “pode ser admissível”, desde que a interpretação continue sendo do intérprete credenciado.
Além disso, para se candidatarem a esses prêmios, os filmes indicados deverão descrever qualquer uso de IA generativa que tenha sido realizado em qualquer parte da produção da obra finalizada, incluindo se foi feita alguma alteração na imagem ou na voz de um intérprete credenciado.
Com base nessas declarações, o Comitê de Elegibilidade do Globo de Ouro analisará o uso da IA e determinará se o filme em questão é elegível ou não. Além disso, eles alertaram que, em caso de dúvida, poderão solicitar informações ou materiais adicionais para avaliar o papel desempenhado na criação da obra
Essas diretrizes sobre o uso da IA na criação de filmes seguem as recentemente anunciadas pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos, que também compartilhou suas normas a esse respeito para o Oscar, onde serão premiados apenas os papéis “interpretados de forma comprovada por pessoas” e os roteiros de “autoria humana”, excluindo o uso de inteligência artificial (IA).
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*via Estadão Conteúdo




