Aulas presenciais são adiadas em Belo Horizonte por causa do avanço da Ômicron

Ministério Público defende obrigatoriedade de vacina contra a Covid-19 para crianças a partir dos 5 anos de idade

Em meio à preocupação com infecções de crianças pela Covid-19, a volta às aulas presenciais em Belo Horizonte foi adiada para o dia 14 de fevereiro. O prefeito da capital mineira, Alexandre Kalil (PSD), anunciou a medida nesta quarta-feira, 26. Apenas estão autorizados para atividades escolares, alunos acima de 12 e menores de 4 anos de idade. “Porque 14 de fevereiro? Porque nós temos que dar a chance, nós temos o dever de dar a proteção das crianças, que devem ser protegidas”, pontuou Kalil. Por conta do aumento de casos de Covid-19, o prefeito também informou que foram abertos 4 leitos de enfermaria pediátrica e 10 de UTI Covid-19 para crianças. Nesta quinta-feira, 27, serão abertos outros 35 leitos de enfermaria.

A alta transmissão da variante Ômicron do novo coronavírus ainda preocupa, sobretudo nessa faixa etária. Em entrevista ao Jornal Jovem Pan, a pesquisadora da Fiocruz Margareth Portela aponta que a Ômicron não é tão inofensiva como vem sendo tratada. “É um pouco menos agressiva, talvez, do que as outras variantes, mas ainda assim há um risco, principalmente em função da transmissibilidade. A Ômicron tem se espalhado de uma forma muito ampla, de forma rápida, e ainda que em um percentual pequeno de pessoas com risco de manifestações mais graves, num quantitativo muito grande, isso vai terminar representando um número também bastante elevado”, explicou.

Um estudo do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo publicado na revista científica Clinics traz um importante alerta: 4 em cada 10 crianças e adolescentes avaliados nessa pesquisa sofrem dos efeitos prolongados da Covid-19 por praticamente três meses depois da infecção. O estudo acompanhou por quatro meses, em média, 53 crianças e adolescentes de 8 a 18 anos que tiveram Covid-19 com sintomas. No total, 43 delas manifestaram sintomas persistentes, como dor de cabeça, em 19%; cansaço, 9%; dispneia, em 8%; dificuldade de concentração, dores musculares e articulares e má qualidade do sono, em 4%.

Desse montante, 25% das crianças seguiram tendo algum desses sintomas ao longo de 12 semanas e a situação acabou sendo caracterizada como Covid-19 longa. A preocupação é tamanha que o Ministério Público está de olho na situação. O Conselho Nacional dos Procuradores Gerais, nesta quarta-feira, 26, aprovou uma nota técnica ressaltando, com fundamento no artigo 14 do Estatuto da Criança e do Adolescente, a obrigatoriedade da imunização contra a Covid-19 para crianças entre 5 e 11 anos. Segundo o MP, a medida deve ser necessária e condicionante para o seguro retorno às aulas presenciais no ano letivo de 2022.


Fonte: Jovem Pan

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