EUA apreendem outro petroleiro associado ao Irã e intensificam tensão em Ormuz

Os militares dos Estados Unidos apreenderam nesta quinta-feira (23) outro petroleiro associado ao contrabando de petróleo iraniano, intensificando o impasse com o Irã um dia após a Guarda Revolucionária paramilitar do país ter assumido o controle de duas embarcações no crucial Estreito de Ormuz.

O Departamento de Defesa divulgou imagens em vídeo de forças americanas no convés do petroleiro Majestic X, apreendido no Oceano Índico.

“Continuaremos a fiscalização marítima global para desarticular redes ilícitas e interceptar embarcações que forneçam apoio material ao Irã, onde quer que operem”, disse o Pentágono em comunicado.

Dados de rastreamento de navios mostraram o Majestic X no Oceano Índico, entre Sri Lanka e Indonésia, aproximadamente na mesma região onde o petroleiro Tifani havia sido apreendido anteriormente por forças americanas. O navio tinha como destino Zhoushan, na China.

Não houve resposta imediata do Irã à notícia da apreensão.

 

A ação ocorre um dia depois de o Irã ter atacado três navios cargueiros no estreito, capturando dois deles, em uma medida que intensificou sua ofensiva contra a navegação nessa via estratégica, por onde passa, em tempos de paz, cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo.

O Majestic X é um petroleiro com bandeira da Guiana. Anteriormente, chamava-se Phonix e foi sancionado pelo Departamento do Tesouro dos EUA em 2024 por contrabandear petróleo bruto iraniano em violação às sanções americanas contra a República Islâmica.

Na terça-feira (21), o presidente dos EUA, Donald Trump, estendeu um cessar-fogo enquanto mantinha o bloqueio americano aos portos iranianos.

O impasse entre EUA e Irã praticamente estrangulou quase todas as exportações pelo estreito, sem perspectiva de desfecho.

O conflito já fez os preços da gasolina dispararem muito além da região e elevou o custo dos alimentos e de uma ampla gama de outros produtos. O Brent, referência internacional, ultrapassou US$ 100 por barril, marcando alta de 35% em relação aos níveis pré-guerra, mas os mercados acionários ainda parecem reagir com relativa indiferença.

O comissário de energia da União Europeia, Dan Jørgensen, alertou na quarta-feira (22) para um impacto duradouro sobre consumidores e empresas, comparando a situação a outras grandes crises de energia dos últimos 50 anos. Segundo ele, a interrupção está custando à Europa cerca de 500 milhões de euros por dia.

*Com informações do Estadão Conteúdo

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