A base do governo Lula protocolou nesta sexta-feira (15) um pedido de criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o filme sobre a biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, denominado “Dark Horse”. O pedido foi feito pelo deputado federal Rogério Correia (PT-MG), vice-líder do governo, entre outros parlamentares.
Segundo o documento, a comissão é para “investigar possíveis irregularidades relacionadas ao financiamento e produção da obra cinematográfica ‘Dark Horse’, da produtora ‘GOUP Enterteinment'”.
Em vídeo, Correia disse que o documento já está na “mesa do Congresso Nacional” e espera que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) assine o pedido. “Vocês viram que as falcatruas foram muito grandes. Eu quero ver se Flávio Bolsonaro vai assinar. Ele que diz que foi tudo normal, não há nenhum rolo, nenhum problema, então assine a CPMI e vamos investigar”, disse Correia.
O pedido pede justificativa sobre o paradeiro do dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro que chegou a ser destinado à produção do longa a pedido do senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro, segundo a troca de mensagens divulgada entre o senador e o banqueiro na última quarta-feira (13).
No vídeo, o deputado ainda afirmou que é preciso saber se “o irmão dele (Eduardo Bolsonaro) teve ou não acesso a este dinheiro”. Na quinta-feira (14), porém, Eduardo negou ter recebido qualquer quantia.
Entenda a troca de mensagens
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, trocou mensagens com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) antes de ser preso tentando fugir do país em novembro de 2025. A informação foi divulgada pelo site Intercept Brasil na quarta-feira.
As mensagens indicam uma negociação na qual Vorcaro se comprometeu a repassar 24 milhões de dólares (cerca de R$ 134 milhões na época) para financiar o filme “Dark Horse” que tem previsão de lançamento para 11 de setembro de 2026.
Os documentos apontam que pelo menos 10 milhões de dólares haviam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025 em seis oportunidades para financiar o projeto. O envolvimento do banqueiro teria sido negociado diretamente com o pré-candidato, mas também teve outros intermediários com Eduardo Bolsonaro e Mario Frias, ambos do PL de São Paulo.
Em setembro de 2025, Flávio e Vorcaro já mantinham contato direto, segundo o portal. Nesse período, os diálogos apontam encontros presenciais em São Paulo.
Em outubro, os dois discutem a produção do filme, quando Flávio afirma estar “no limite”. Eles também marcam um encontro na casa do banqueiro, com a presença do ator Jim Caviezel e do diretor Cyrus Nowrasteh, em 2 de novembro. A tentativa de venda do Master para o Banco de Brasília coincidiu com o financiamento do filme.
Ao longo do segundo semestre de 2025, a pressão financeira sobre Vorcaro aumentou e Flávio começou a interagir mais com o banqueiro.
No dia 7 de novembro, Flávio envia um vídeo de visualização única para Vorcaro e afirma que “tudo isso só está sendo possível” por causa de Vorcaro.
Entrevista de Flávio Bolsonaro
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse na quinta-feira (14) em entrevista à Globonews que “todo dinheiro arrecadado foi integralmente utilizado para o filme” e não foi para Eduardo Bolsonaro.
Flávio afirmou ainda que não poderia estar comentando sobre o filme pois assinou um termo de confidencialidade, e só está falando sobre porque a história “veio à tona”. “Eu não posso descumprir contrato, tem investidores, a única relação que tenho com Vorcaro era o filme”, disse Flávio, que informou está produto e só foi concluído “graças a outros investidores”.
O senador afirmou também que o último pagamento feito por Vorcaro para o fundo do filme foi em maio de 2025 e depois ele “parou de honrar os compromissos”. A última data de pagamento veio na mesma época em que começaram a circular as informações sobre as fraudes em torno do Banco Master, presidido por Daniel Vorcaro.
Por fim, Flávio disse que “não adianta querer nos rotular de ter feito algo errado porque não fizemos” e que não vão o coloar na mesma “lama que o PT”.




