Lula pediu ajuda a Trump para prender dono da Refit, alvo da PF nesta sexta

O presidente Lula (PT) pediu ao homólogo norte-americano, Donald Trump, para ajudar a prender o dono da Refit, Ricardo Magro, alvo de operação da Polícia Federal (PF) nesta sexta-feira (15). O pedido foi revelado pelo petista durante entrevista à TV Record Bahia, no começo de abril.

“Eu disse para o Trump: se você quiser combater o crime organizado de verdade, o Brasil está disposto a jogar todo o peso que a gente puder jogar para combater. […] E você poderia começar me entregando os brasileiros que estão aí. Tenho o endereço da casa e tenho o nome das pessoas brasileiras que têm praticado crime e que estão foragidas nos Estados Unidos. E eu estou aguardando sobretudo o dono da Refit, que é o principal deles”, disse Lula.

Ricardo Magro foi alvo de buscas e apreensão da PF nesta sexta, durante a Operação Sem Refino, que investiga possíveis fraudes fiscais da Refit, a primeira refinaria privada do Rio de Janeiro (RJ) e a antiga Refinaria de Manguinhos.

A mesma operação também colocou como alvo o ex-governador do RJ Cláudio Castro (PL). Agentes da PF estiveram no apartamento do ex-chefe do Executivo carioca, localizado na Barra da Tijuca, zona sudoeste do estado.

De acordo com a Polícia Federal, a operação teve como objetivo apurar a atuação de um conglomerado econômico do ramo de combustíveis acusado de utilizar a estrutura societária e financeira para ocultação patrimonial, dissimulação de bens e evasão de recursos ao exterior.

A ação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da ADPF das Favelas, que investiga a atuação de organizações criminosas e suas conexões com agentes públicos no RJ.

Combate ao crime organizado

A declaração de Lula no começo de abril evidencia o foco do governo federal no combate ao crime organizado. Na terça-feira (12), o Palácio do Planalto lançou o programa Brasil Contra o Crime Organizado, que prevê o fortalecimento das atuais Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (Ficco), a compra de equipamentos e a promoção de 138 unidades prisionais para o padrão de segurança máxima dos presídios federais.

Segundo o governo, a estratégia nacional de enfrentamento às organizações criminosas está estruturada a partir de quatro eixos:

  1. Asfixia financeira do crime organizado;
  2. Fortalecimento da segurança no sistema prisional;
  3. Qualificação da investigação de homicídios;
  4. Enfrentamento ao tráfico de armas, munições, acessórios e explosivos.

O Palácio do Planalto informou que os quatro eixos foram pensados como resposta a cada um dos pilares sobre os quais as facções criminosas sustentam seu poder: obtenção de lucros com as atividades ilícitas; comando das prisões, onde arregimentam mão de obra; falta de resposta/punição à violência letal e poder armado.

Articulação

Ainda de acordo com o governo federal, a proposta é promover uma maior articulação entre as instâncias federal, estaduais e municipais, qualificando e potencializando investimentos e esforços operacionais contra “o andar de cima, o comando e a base econômica das facções criminosas”

Lula ressaltou que o Executivo federal não tem intenção de ocupar o espaço dos governadores ou da polícia estadual. “O dado concreto é que, se a gente não trabalhar junto, a gente não consegue vencer. E o crime organizado se aproveita da nossa divisão”.

Encontro de Lula e Trump

O crime organizado foi assunto de um encontro entre Lula e Trump no último dia 7, na Casa Branca, em uma reunião que durou cerca de três horas. Além da segurança, também foram tratados outros temas, como tarifaço, terras raras e as relações dos Estados Unidos com países da América Latina.

“Eu saio daqui com a ideia de que nós demos um passo importante na consolidação da relação democrática histórica que o Brasil tem com os EUA”, afirmou Lula após a reunião.

Apesar de nenhum acordo ter sido fechado, Lula afirmou que conseguiu uma prorrogação de 30 dias sobre o tarifaço que os EUA querem aplicar ao Brasil. Nesse período, representantes dos dois países devem se reunir para negociar.

“Tem uma divergência entre nós que ficou explícita na reunião. Propus 30 dias para que os companheiros possam criar uma solução”, disse Lula, que afirmou estar “positivo” em relação ao tema.

Os EUA haviam imposto 50% de tarifas contra o Brasil – 10% aplicados a todos e 40% adicionais apenas ao Brasil. Os 40% caíram após decisão da Suprema Corte, mas podem retornar caso o país decida reimpor as sobretaxas a partir de julho. Neste encontro, o Brasil conseguiu um respiro de um mês para negociar.

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