O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prorrogou por tempo indeterminado o cessar-fogo com o Irã para dar mais tempo às negociações de paz e afirmou nesta quarta-feira (22) que a República Islâmica está em “colapso financeiro” devido ao fechamento do Estreito de Ormuz.
O Irã não confirmou de maneira imediata a prorrogação do cessar-fogo. Um navio porta-contêineres foi atingido nesta quarta-feira por disparos iranianos perto da costa de Omã, uma ação que provocou danos, mas nenhuma vítima, segundo a agência britânica de segurança marítima UKMTO.
Além disso, um cargueiro que deixava o Irã foi imobilizado por disparos, acrescentou a UMKTO, que não relatou danos nem feridos no segundo incidente.
Desde o início da guerra no Oriente Médio, deflagrada em 28 de fevereiro por ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, uma rodada de negociações aconteceu em Islamabad, mas terminou sem resultados. O Paquistão, país mediador, tenta organizar outro ciclo de conversações para acabar com um conflito que matou milhares de civis, principalmente no Irã e no Líbano, e abala a economia mundial.
O ministro iraniano da Agricultura, Gholamreza Nouri, afirmou que o bloqueio naval americano não afetou a capacidade do país de fornecer produtos básicos e alimentos. “Quase 85% dos produtos agrícolas e de primeira necessidade são produzidos no país, portanto a segurança alimentar nacional está garantida”, acrescentou.
Nouri disse que o Irã “é um país vasto, com numerosos vizinhos e diversos pontos de entrada”, antes de garantir que a situação “foi prevista com antecedência e foram realizados esforços para garantir que não houvesse impactos negativos sobre a segurança alimentar do país”.
“Apesar disso, os inimigos agem sem princípios, por isso estamos preparados para o pior cenário”, ressaltou Nuri, que enfatizou que as autoridades “consideraram cenários pessimistas” e “realizaram preparativos”. “O principal efeito poderia ser um aumento dos custos e dos preços, mas o princípio da segurança alimentar e o acesso aos alimentos não estão ameaçados”, destacou.
Morte no Líbano
Na outra frente de batalha da guerra, novas negociações diretas entre Israel e Líbano devem acontecer na quinta-feira em Washington, segundo o governo americano.
Assim como as primeiras, em 14 de abril, as conversações serão lideradas pelos embaixadores. Segundo a agência oficial libanesa Ani, o Exército israelense detonou várias casas na manhã de quarta-feira em Al Bayada, no sul do país.
A mesma fonte acrescentou que um ataque israelense na região do Bekaa provocou uma morte. Segundo um balanço oficial divulgado na terça-feira, 2.454 pessoas morreram no Líbano em seis semanas de guerra.
‘Libertar’ as mulheres iranianas
Antes de anunciar a extensão da trégua, Trump pediu a Teerã que “libertasse” várias mulheres que, segundo ele, estariam ameaçadas de execução. Seria um “começo muito bom para as negociações”, declarou.
Nesta quarta-feira, o Irã prosseguiu com uma série de execuções ao enforcar um homem condenado por acusações de vínculos com os serviços de inteligência israelenses.
Em Teerã, onde os principais aeroportos reabriram na segunda-feira após muitas semanas fechados, a vida voltou à normalidade.
Alguns moradores da capital, contactados pela AFP a partir de Paris, têm aproveitado o cessar-fogo para fazer uma pausa, mas com o temor de que a guerra retorne em breve.
“Saí sem estresse, fui caminhar, fui a cafeterias e restaurantes”, contou Mobina Rasoulian, uma estudante de 19 anos que passeava pela capital iraniana.
*com informações da AFP e da Europa Press





